Deus Infinito, sempre ofendido, pede-nos a Devoção das
devoções: a do Seu Coração, o Adorável Coração de Jesus, Amor
e Reparação
Deus, sendo Infinito, conhece tudo desde
Sua Eternidade sem começo e sem fim. É Infinito porque Sua
própria Essência (que sempre existiu como Criador que tudo cria
sem ser criado) é pedida por nossa inteligência, confirmada pela
Fé. Conhece, então, tudo por ser Deus, vê em Si mesmo, em
um Eterno Presente, sem passado ou futuro.
Posta esta verdade, temos que concluir que é impossível
a Deus desconhecer os nossos pecados, não vê-los em Sua Visão
Eterna. Então Deus, desde sempre, é realmente
ofendido em razão da ofensa sempre conhecida por Ele. Não,
todavia, ofendido sempre, quanto à ofensa dolorosa, a qual
só Lhe pode atingir enquanto Homem e Deus, capaz de sofrimento,
e sujeito à Dor, durante Sua Vida terrena.
Tais verdades nos impelem a amarmos a Deus com um
amor perfeito, isto é, por ser Ele, desde sempre, um
Deus ofendido, Bondade das bondades, Perfeição Infinita, que essencialmente
pede-nos Amor e Reparação, sendo Ele o Primeiro Amor
Reparador.
Em vista dessas injúrias sempiternas a
Deus de tão Infinita Misericórdia como Infinita Justiça (pois no
Infinito nada pode haver maior ou menor), percebemos a Suma
importância da Devoção ao Coração de Jesus na Consagração
Nacional ao Seu mesmo Adorável Coração: Devoção esta baseada
sobretudo no Amor e Reparação pelos nossos pecados e crimes as
Nações.
É então bem ela "o último esforço do
Amor do Verbo Encarnado para salvar as almas", livrá-las
do Fogo do Inferno na perda eterna de Deus, pena máxima dos
condenados, fora de toda nossa imaginação.
Sim, Devoção das devoções a nos dizer:
Se há um Céu para quem teme a Deus, qual será o Céu para quem
ama a Deus? E O serve, buscando Sua Maior glória, sincer, e
acabadamente entregando-Lhe a Vontade Livre? E não mais por um temor
servil, senão que já na linha do Puro Amor a Deus por
ser Ele o Criador e Redentor, amando-nos desde sempre? Será
o Céu dos céus!
E a isso nos atrai a Grande Promessa
do Coração de Jesus, certeza de salvação, não para
que abusemos da Graça prometida, senão a fim de que com tal
certeza continuemos, com mais fervor, a sermos mais fiéis a
Deus. Não mais, entretanto, por medo dos castigos, senão na linha
dita do Puro Amor, que pede nossa Comunhão Reparadora: já pelas
ofensas e não menos porque Deus que criou o homem sem o homem, não
salvará o homem sem o homem. "Qui te creavit te sine te,
non salvabit te sine te", como disse Santo Agostinho, de
tão precisa inteligência.
Feliz a Nação que se entrega, se Consagra Nacionalmente
ao Coração de Jesus, Liberdade das liberdades, Rei das Nações!
Não só feliz, mas felicíssima, se vive,
pratica, não se esquece da Consagração!
"Ganhe um momento o que perderam
anos".
Possa o momento, este opúsculo, por
Misericórdia Divina, concorrer para Reparação do quase
total esquecimento da Consagração Cívica Nacional
do Brasil ao Coração de Jesus. Assim desejamos.