Meditações da Quaresma
Sábado da 4ª Semana da Quaresma
;A vocação (chamado) de Maria e lições para nossa vida
“O homem... teme não apenas ser chamado ao sacerdócio mas teme também ser chamado à vida, aos seus encargos, a uma profissão, ao matrimônio.” (João Paulo II)
Maria estava recolhida em oração a Deus, quando o Arcanjo Gabriel – “a força de Deus” – lhe apareceu. Este lhe dá três títulos de uma grandeza que ultrapassa o nosso entendimento.
O primeiro diz respeito a Ela mesma: “Ave, cheia de graça”, ou seja, és a mais santa entre todas as mulheres, és um tesouro de todas as graças e favores de Deus. O segundo diz respeito a Deus: “O Senhor é contigo”, isto é, Tu és protegida, acompanhada e governada por Ele. E o terceiro diz respeito aos homens: “Bendita és Tu entre as mulheres”, ou seja, és privilegiada, elevada acima de todas e de todos... Com que respeito dirigimos nós essas mesmas palavras a Maria quando rezamos o seu Rosário?
Maria perturba-se ao ouvir as palavras do Anjo, que lhas transmite da parte de Deus. Os louvores incomodam-na e a assustam: não refere nada daquilo a si própria, mas tudo a Deus. Perturbou-se porque, sendo plenamente humilde, aborrecia todo o louvor dirigido a Ela e desejava que só o seu Criador e Doador de todos os bens fosse louvado e abençoado.
E considerava o que poderia significar aquela saudação (Lc 1,29). Quanto a nós, como imitamos Maria diante dos perigosos louvores que recebemos dos homens? Repletos de orgulho, pensamos merecê-los, comprazemo-nos neles e, se fingimos rejeitá-los, só o fazemos para que nos dirijam outros maiores! Quantas quedas vergonhosas não são efeito da adulação!...
“Não temas”, prossegue o anjo. “Não temas”. O homem tem medo. Teme não apenas ser chamado ao sacerdócio mas teme também ser chamado à vida, aos seus encargos, a uma profissão, ao matrimônio. Tem medo.
Este temor revela também um senso de responsabilidade, mas de responsabilidade ainda pouco madura. ...Deve-se acolher o chamamento divino, deve-se ouvi-lo e recebê-lo, deve-se avaliar as próprias forças e responder: sim, sim! Não temas, não temas porque encontraste a Graça, não temas a vida, não temas a tua maternidade, não temas o teu matrimônio, não temas o teu sacerdócio, porque achaste a Graça. Esta certeza, esta consciência nos ajuda como ajudou a Maria.
“A terra e o céu esperam o Teu sim, ó Virgem puríssima!” (São Bernardo)
Esperam o Teu sim, Maria. Esperam o teu sim, ó mãe que deves dar à luz; esperam o teu sim, ó homem que deves assumir uma responsabilidade pessoal, familiar e social...
Maria concorda em duas frases: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,28).
Com estas benditas palavras, consumou-se o mistério da Encarnação, cumpriram-se as profecias e reparou-se a desobediência dos nossos primeiros pais e as dolorosas conseqüências do triste colóquio de Eva com o anjo das trevas! Palavras admiráveis, em que resplandece a fé mais viva, a humildade mais profunda, a obediência mais submissa, o amor mais terno, o abandono mais perfeito à divina vontade. Palavras que a Igreja, por gratidão, põe diariamente nos lábios dos seus filhos, no Ângelus. Pronunciemo-las também nós continuamente, e com os mesmos sentimentos da Santíssima Virgem.
Eis Aquela que teve imensa confiança em Deus. Com essa confiança Ela pôde tornar-se Mãe de Deus.
(Fontes consultadas: O Rosário de Nossa Senhora, Bártolo Longo; Meditações e orações, João Paulo II)
Prática sugerida: tornar a récita do Angelus uma prática diária, que nos ajudará a amar mais Nossa Senhora e assim a compreender e aceitar a vocação à qual fomos chamados.
O Angelus é rezado 3 vezes por dia: às 6h, ao meio-dia e às 18h.

