Meditações da Quaresma
Terça-feira da Semana Santa
Sagrada Face
Que vejamos um dia com os eleitos,
a Vossa face gloriosa, ó Cristo, nosso Deus.
Felicidade que é imensa e pura,
e que dura por todos os séculos. Amém.
(Antífona do Lava-Pés)
Na Sua Paixão, todos se enfurecem contra o Seu rosto: Judas beijou-o vilmente; um soldado esbofeteou-o no tribunal com a mão enluvada de ferro; soldados e verdugos arrancaram-lhe a barba, cuspiram-lhe nas faces, rasgaram-lhe a fronte com espinhos...
Por quê, Cristo?
Sei de muitos que, antes de ultrajarem as tuas Imagens, te destruíram o rosto, porque não resistiam aos teus olhos. Não suportavam que Deus os estivesse contemplando sereno, manso, impassível, enquanto o quebravam a golpes de machado. Não se atreviam a ofender-te cara a cara. E começavam por esmagar-te o rosto.
Assim fizeram os soldados na noite triste da tua Paixão, quando troçavam de ti. Não sei o que havia nos teus olhos, que os não toleravam. Com um trapo sujo improvisaram uma venda, taparam-te os olhos e apertaram o nó, com força, na nuca.
Apertaram quanto puderam, até fazer-te doer, para que a luz dos teus olhos não pudesse escapar-se pelo pano. Porque tinham medo do resplendor do teu olhar.
E então, sim, quando te viram vendado, atreveram-se.
Assim é a nossa valentia de homens!
Entre risadas e chufas da soldadesca, cuspiram-te, davam-te bofetadas, batiam-te com a cana na coroa, enterrando-te os espinhos na fronte e, com momices e gestos de grotescas reverências, desfilavam diante dos teus olhos vendados, desafiando a tua cegueira:
- Adivinha, Cristo, quem te bateu?
- Escarneçamos dEle, que não nos vê.
Mas a luz dos teus olhos atravessava a venda de pano asqueroso e via-os a todos, reconhecia-os, sabia os seus nomes e a sua história covarde e cruel.
Primeiramente vendamos-te. E a seguir, já tranqüilos, ofendemos-te.
Insensatos!
Não há venda susceptível de cegar os teus olhos.
Ramón Cué, SJ
O meu Cristo partido
As Lágrimas de Maria na Salva Divina

Pai Eterno, no Divino Rosto de vosso Filho no qual dissestes que tínheis posto as vossas complacências, apresento-Vos as Lágrimas de Maria, Vossa diletíssima Filha.
Confiando nos inefáveis merecimentos dessas benditas Lágrimas de dor, e por amor, eu Vos suplico: recebei, Senhor, esta valiosíssima oferta que ora Vos faço, pedindo-Vos humildemente que, pelo seu imenso valor, me concedais a graça de...
Meu Senhor e meu Deus, pelas Lágrimas de Maria derramadas sobre Vosso Divino Rosto, ouvi os nossos rogos (3 vezes).